A chegada de Romeu Aldigueri à Presidência da Assembleia Legislativa do Ceará não foi fruto de uma trajetória linear nem de protagonismo midiático prévio. Sua ascensão resulta, sobretudo, da leitura precisa do momento político e da capacidade de se ajustar a ele. Em um cenário de alianças complexas, Aldigueri emergiu como solução institucional: menos ruído, mais funcionalidade.
No comando do Legislativo, passou a atuar como fiador de um arranjo político mais amplo, que envolve a permanência de Cid Gomes no campo governista, a estabilidade do governo Elmano de Freitas e a manutenção do eixo camilista como centro de gravidade do poder estadual. Seu estilo não é o da imposição, mas o da mediação eficiente, garantindo que o sistema opere sem rupturas.
A lealdade de Aldigueri ao governo não é decorativa nem submissa. Governista, mas com posições próprias, especialmente em temas como segurança pública, ele cobra resultados e ocupa um espaço que impede que a oposição monopolize o debate, sem tensionar publicamente a base aliada.
Com experiência administrativa como ex-prefeito de Granja e ex-gestor de órgãos ambientais estratégicos, Aldigueri atua com pragmatismo, evitando radicalismos e priorizando a viabilidade política. Na Assembleia, isso se traduz em um comando conciliador, institucional e atento às demandas sociais, sem transformar o Legislativo em apêndice do Executivo.
À medida que o pleito de 2026 se aproxima, Romeu Aldigueri se consolida como peça-chave do xadrez governista. Não é o centro do jogo, mas um dos alicerces que sustentam uma aliança antiga, hoje pressionada pelo desgaste do tempo. Em política, manter a estrutura de pé costuma ser mais decisivo do que ocupar o topo.









