Julgamento de Eduardo Cunha deve enfrentar morosidade

Apesar de deputados negarem lentidão no julgamento, cientistas políticos apostam em manobras do presidente
Desde o início do processo de escolha do relator no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para avaliar ação contra Eduardo Cunha (PMDB), foram levantados diversos questionamentos quanto à isenção do colegiado no julgamento do peemedebista. Especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste preveem muita dificuldade do grupo em tomar qualquer decisão imparcial e responsabilizam a natureza do Parlamento pela desconfiança revelada por diversos setores da sociedade, mas deputados negam obstáculos.

Os deputados cearenses Genecias Noronha (SD) e Odorico Monteiro (PT) são os únicos integrantes do Estado no grupo, porém, ambos estão apenas sob a condição de suplentes. O primeiro integra bloco com o maior número de siglas, PMDB, PRB, DEM e outros, enquanto o segundo faz parte da cota do grupo de legendas formado por PT, PSD, PR, PROS e PCdoB.

O presidente estadual do Solidariedade no Ceará acredita em independência do colegiado ao defender não haver relação com o peemedebista. “Acho que não tem nenhum membro que não seja independente. São membros de partidos diferentes, representantes de estados diferentes. Não tem nada a ver com Cunha, que é deputado lá do Rio de Janeiro”, alega Genecias.

Na avaliação do parlamentar, Eduardo Cunha não tem nada a oferecer aos parlamentares e, assim, não possui condições de estabelecer qualquer acordo. Para ele, o julgamento de ações contra o Palácio do Planalto correria muito mais risco devido à capacidade do Executivo em ofertar ministérios e cargos de segundo ou terceiro escalão.

“Se estivéssemos julgando o governo, que tem ministérios e cargos para oferecer, talvez fosse diferente. Mas o presidente da Câmara não tem o que dar. Ele não tem o poder de manipular os deputados. Eu mesmo sou livre, eu só devo satisfação ao povo do Ceará”, ressalta.

Impeachment
Quando indagado se a postura de Eduardo Cunha em relação ao processo de impeachment não poderia ser aproveitada como recurso que influenciaria o comportamento dos deputados no Conselho de Ética, Genecias Noronha diz não acreditar em qualquer peso sobre a oposição, mas critica os membros da base aliada ao governo Dilma. “O próprio partido do governo covardemente não defende a cassação do Cunha, para que ele não abra o processo de impeachment”.

O cientista político David Fleischer alerta que o julgamento de Eduardo Cunha assume proporções maiores e únicas. Embora o Conselho de Ética já tenha se posicionado outras vezes pela cassação de parlamentares, lembra o professor que a posição assumida pelo peemedebista como presidente da Câmara impõe mais dificuldades.

“O presidente da Câmara é mais complicado. Os outros que foram cassados pela Câmara eram simples deputados. Já Eduardo Cunha tem várias pessoas que devem favores a ele”.

David Fleischer defende a análise de que Cunha pode se aproveitar da tese de impeachment de Dilma Rousseff como barganha frente aos deputados da oposição para garantir ao menos condenação mais branda. “O poder de iniciar o impeachment é exclusivamente dele. É ele quem tem o papel e a caneta na mão. O impeachment pode ser utilizado como barganha principalmente se a operação Lava-Jato descobrir coisas novas”, avalia.

Para o docente, a forma como o Conselho de Ética se comportará diante da ação contra Cunha pesará na imagem do Legislativo perante a opinião pública e, por essa razão, acredita que os deputados irão esgotar ao máximo os prazos regimentais. Fleischer enxerga que, assim como adiaram a escolha de Fausto Pinato (PRB-SP) como relator, farão o mesmo nas próximas atividades.

O cientista político Ricardo Ismael alerta para o risco de demora na conclusão da análise do Conselho de Ética ao argumentar que Eduardo Cunha tem força para assegurar ritmo lento.
“A questão pode ser protelada durante muito tempo, tendo conclusão só em 2016. Outra preocupação permanente é que, caso a definição viesse em 2015, a chance de cassação seria muito maior por causa da pressão da opinião pública”, avalia.

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