"Dilma precisa de líderes", afirma governador Cid Gomes

Conhecido pelo estilo franco e direto, de quem inclusive já saiu da sala quando não gostou do tratamento da presidente Dilma Rousseff, o governador do Ceará, Cid Gomes, investe agora suas baterias à equipe do governo federal. Ao mencionar os interlocutores da presidente na área política, capitaneada pela ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, exclama por três vezes “Meu Deus”. Na avaliação dele, Dilma está “absolutamente sozinha nessa área”. Diz que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve ficar “nesse momento”, por conta da cobrança feita pela revista The Economist, que sugeriu que a demissão dele serviria como “alternativa” para reconquistar a confiança dos investidores. E conclui: “Se Dilma se cercar de capachos, não vai a lugar algum”. Ele conversou com o Correio entre um compromisso e outro na última quinta-feira. A seguir os principais trechos da entrevista.
O senhor foi um dos primeiros a defender a reeleição da presidente Dilma. Essa aposta continuará valendo se a economia der errado?
Primeiro, eu penso acima de tudo no Brasil. Não estou pensando na próxima eleição. Um dos males da política brasileira é que os partidos perderam a coerência completamente. A maior parte dos partidos não defende teses. Quando estão no poder lançam mão de certos artifícios e, quando vão para a oposição, condenam os artifícios que usaram e vice-versa. Quando está na oposição condena uma prática e fica torcendo para que o país piore para poder chegar ao poder. Eu, sinceramente, acho que isso é um dos fatores responsáveis pelo descrédito da política no Brasil. A gente tem que ter coerência.
Como assim?
Os partidos precisam ter programas e respostas para os problemas do Brasil. O PT, o PSB, o PSDB, o que defendem para a previdência no Brasil? Isso é um problema que tem dia e hora marcada para explodir. Há estados no Brasil que já gastam mais com aposentados do que com funcionários ativos. Isso vai explodir. A idade média está crescendo. O partido tem que ter claramente uma posição em relação a isso. Não pode ficar criticando quando se faz uma ação para corrigir. Na economia, tem que ser assim. Tem que defender aquilo que acredita.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está indo bem? O Mantega…Nessa hora agora temos que respeitá-lo. Eu tenho muitas diferenças, mas acho que nessa hora, por questão de respeito do Brasil, o pior dos mundos seria… Ouvi falar até que já sondaram uma pessoa, o Gerdau, mas acho que isso seria terrível para o Brasil. Se eu fosse presidente, não mudaria agora. A equipe da Dilma tem muitas deficiências e não pense que estou atrás de ministério. A equipe da Dilma precisa de mais talento.
Então, a presidente tem que mudar o estilo, ser menos centralizadora?
As coisas não acontecem por geração espontânea. Os ministros é que têm que se impor. “Presidente, minha responsabilidade é essa? Me perdoe, mas a senhora está errada. Ou vai nesse caminho ou me demita.” Precisa de gente assim. Gente que fica baixando a cabeça e terêrê-tererê, não dá. Não é que ela esteja errada, às vezes pode estar até certa, mas não pode ser sozinha. Isso é muito grande para que ela controle tudo sozinha.
E o senhor acha que a presidente Dilma está sozinha? Em quais áreas?
Em algumas áreas, ela está absolutamente só. Nessa área política, então, meu Deus… Meu Deus, meu Deus! A interlocução política da Dilma é terrível. Olha, não se faz nada sem liderança. Ela, Dilma, é um extraordinário exemplo de liderança. Mas precisa se cercar de líderes também. Não de capachos. Se ficar se cercando de capachos, não vai para lugar nenhum.
O senhor acredita na recuperação da economia e na candidatura da presidente? Torço por isso. Pelo Brasil em primeiro lugar. É bom para o país que se recupere o crescimento da economia. A Dilma ser reeleita, isso é consequência. Eu, naturalmente, por reconhecer na Dilma alguém que tem espírito público e está fazendo as coisas que têm que ser feitas, na essência, eu torço pela reeleição dela. Tudo como consequência uma da outra. Economia, Brasil e ela, tenho simpatia por ela.
E o governador Eduardo Campos?
É candidato ao Planalto? Ele está agindo corretamente. Não deve ser ele quem vá descartar a possibilidade de ser candidato. Quem está na vida pública tem ambições naturais. Qual o brasileiro que está na vida pública e que não sonha em ser presidente da República? É o coroamento de qualquer carreira.
O senhor quer ser candidato?
Não, eu não. Veja bem: quem é que está na vida publica e que não gostaria de estar na maior posição e com isso implementar no dia a dia aquilo que acredita? É natural que ele sonhe. E muita gente tem estimulado a candidatura dele. Não é papel dele, e no lugar dele eu não faria isso, dizer ‘não, eu não sou’. Por que? Ele já disse o que deveria: 2014 se trata em 2014. Acho que cabe naturalmente à Dilma e ao PT cativá-lo, procurá-lo. Ele é uma liderança importante, respeitada, muito querida em Pernambuco, está se tornando conhecida aí no Brasil.
E o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
O senhor dia desses afirmou que o empresário Marcos Valério era um “pilantra” e as denúncias não deveriam ser levadas a sério… Quem está dizendo não sou eu. É o STF que o condenou a 40 anos de prisão. Uma pessoa que é condenada e não é por crime de homicídio e nem de tráfico de drogas, a 40 anos de prisão é porque é um pilantra de marca maior. Aí tem formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, tudo que há de crime de colarinho branco com agravantes máximos. Esse entendimento é do Supremo Tribunal Federal e por unanimidade. O Lula não pode ser considerado um Deus, como já disse meu querido irmão Ciro Gomes, não é bom para o Brasil. O PT fez mal a ele nessas últimas eleições municipais quando exigiu dele para, além da conta, presença em eleição. O Lula é um ex-presidente e é assim que deve ser tratado e assim que deve se comportar também. Um ex-presidente que é o maior da história recente do Brasil. O maior dos últimos 40 anos. O que fez mais bem ao Brasil, reduziu mais as desigualdades, que trabalhou com mais sensibilidade a maioria pobre do povo brasileiro. Então, a gente tem que ter respeito por isso.
O senhor falou nele como um ex-presidente que deve se comportar como tal. Isso significa que defende que ele não seja mais candidato?
Eu, na situação dele, não seria mais candidato. O Lula não tem nada a ganhar. Zero. Ele saiu da presidência muito bem. Não é fácil ser presidente duas vezes e sair com a popularidade que ele saiu. Não há possibilidade de sair tão bem quanto saiu. Digo isso com uma convicção de 100% de certeza. Ele só tem a perder. Lula, no meu juízo, deve cumprir um papel de liderança brasileira para estar rodando o mundo. E nós, como brasileiros, o respeitarmos. Darmos a ele os créditos que o povo brasileiro deu. Quem for contra, o PSDB no caso, esqueça. Ele também deve ter uma atuação menor no dia a dia. Não faz sentido ele entrar na política miúda, por exemplo, de Campinas (SP), na política municipal. Acho que ele também tem que compreender a estatura que ele está.

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